Nos tempos atuais onde as inovações tecnológicas passaram a ser um fenômeno globalizado, as empresas começam a pensar em outros fatores para mostrarem seu diferencial perante o mercado, o design age como um fator de extrema importância no cenário industrial, com ele as indústrias são capazes de mostrarem seu diferencial perante o consumidor colocando em produtos valores ligados a realidade do consumidor. No Brasil o design não é tão desenvolvido como em paises europeus, por exemplo, uma das causas dessa não inserção deve-se ao fato de que o design nacional não corresponde a verdadeira realidade sócio-econômica em que o consumidor brasileiro se encontra, por isso vemos a necessidade de um estudo de como essa situação poderia se reverter trazendo a contextualização do design o mais próximo da situação nacional.
Para melhor entender essa inserção devemos primeiramente analisar a definição da própria palavra “design”, do latim designare, foi adaptada pela língua inglesa como design, quando o conceito de design foi introduzido no Brasil houve um grande problema com a palavra a ser usada para denominar a profissão, em algum lugares se usa a expressão desenho industrial e em outros se optou a usar a palavra em inglês pela falta de opções que denominassem a profissão de maneira totalmente satisfatória.
O Design começa a se delinear no Século XIX com a Revolução Industrial, inicia sua conceituação com os textos teóricos ligados ao movimento Arts & Crafts, movimento que têm como principal pensador Willian Morris, que enxergava na produção artística um guia para a produção industrial. Esse conceito de design ganha maturidade e sofre uma profunda revolução com as experiências feitas na Bauhaus, escola alemã do início do Século XX, praticamente definindo a noção atual da profissão. O design de produto então se conceitua como uma atividade voltada para o projeto e a produção industrial, principalmente voltado para produtos de produção em série, mas também sendo utilizado em alguns casos na manufatura, isso atendendo a valores estéticos, geográficos, sociais e econômicos.
Os valores ao qual o design procura atender são de extrema importância para a produção de um projeto bem realizado por isso é necessária uma reflexão de como o design atualmente está se adaptando e atendendo a esses valores, se está realmente sendo abrangente em sua forma de contextualização dentro da sociedade em qual é produzido.
A inclusão do design na sociedade brasileira se deu principalmente em 1963 com a criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), criada no Rio de Janeiro, com uma grade curricular inspirada na escola alemã de Ulm, considerada a sucessora da Bauhaus, depois da criação da ESDI outros cursos de design foram aberto no Brasil, sendo assim incluso na lista de cursos oferecidos por grnade parte das universidades nacionais.
Embora o design esteja incluso na sociedade brasileira desde 1963, fala-se ainda muito pouco de design dentro do país, mesmo tendo designers conhecidos internacionalmente a própria definição da palavra “design” ainda é desconhecida por boa parte da população, isso acarreta um problema para as pessoas que entram nessa carreira profissional pois o país parece ainda não estar familiarizado com o conceito carregado para essa classe de profissionais. Com essa desinformação pela sociedade o design brasileiro acaba ainda tendo um grande problema em criar uma identidade plenamente nacional, ainda que muitos designers brasileiros tenham elaborado com sucesso projetos que exprimem a realidade social do Brasil.
A realidade social e econômica em que o Brasil está inserido é um importante ponto para traçar inserção desse conceito de design perante a sociedade. Desde que foi conceitualizado o design carrega entre suas funções a de atender ao público alvo do produto elaborado, no Brasil pelo design ainda não ter se desenvolvido de maneira independente da contextualização internacional o design produzido aqui acaba extremamente inspirado em realidades de outros paises. Essa tendência em seguir o design que é feito em outros paises pode acabar acarretando em um mal compreendimento da realidade em que está inserido produzindo produtos que não se adaptem à sociedade que será inserido para comercialização. Temos aqui que refletir sobre a real situação brasileira e sua diferença com outros paises onde o design é desenvolvido, não pode-se negar que a realidade européia por exemplo é bem diferente da brasileira, para ilustrar essa realidade citamos um estudo realizado pela Experian Business Strategies em que o autor da projeção apresentada, Peter Gutmann, faz o seguinte comentário: “O Brasil não estará tão bem quanto a China e a Índia, mas é possível dizer que, com base na renda per capita, daqui a 45 anos, os brasileiros terão um padrão de vida equivalente ao existente hoje (2005) na Europa", ou seja, os brasileiros levarão 45 anos para poder ter um proder de compra equivalente ao que os europeus tem, sendo assim é impossível que a identidade do design europeu seja implementada no Brasil nos dias atuais, percebemos então o quanto é importante para os designers brasileiros desenvolverem uma identidade inteiramente nacional que se adapta a realidade inserida que é bem diferente de outros padrões internacionais.
Temos que começar a pensar em como seria essa realidade em que a sociedade brasileira está inserida, o Brasil é um país que oscila entre dois extremos, de um lado observamos uma população que têm uma elevada renda e de outro lado uma população que convive com a pobreza, esses dois extremos fazem com que a missão de criação de uma identidade nacional do design se torne ainda mais complicada, enquanto por um lado a população mais rica tem o poder monetário para comprar produtos com padrões de outros paises, a população mais pobre sofre com a falta de opções e de produtos com qualidade em design no mercado, acabando por consumir produtos de qualidade inferiores, muitas vezes por serem cópias mal elaboradas do design de outros paises. O papel do designer é além de agregar mais valores a um determinado produto através de um design bem elaborado, também tornar possível o alcance do design a camadas mais pobres da população, esse tipo de pensamento era bem difundido nos primórdios da historia do design e foi ideologias de grandes pensadores do mundo do design como Willian Morris e seu movimento Arts and Crafts. No Brasil já podemos ver uma certa movimentação em direção a essa ideologia por alguns designers de renome, como por exemplo Sérgio Rodrigues, famoso designer brasileiro que depois de produzir sua famosa Cadeira Mole produziu uma versão alternativa dessa cadeira que utilizando de materiais mais baratos tornava-a acessível para pessoas que não tem um poder de compra muito elevado (Denis, Rafael Cardoso. 2003). Esse e outros exemplos fazem com que a inserção do design na sociedade brasileira caminhe.
A inserção procurada do design na sociedade brasileira se dispões de algumas ferramentas ao seu favor, ligado ao famoso “jeitinho brasileiro”, os designer nacionais vem investindo em peso no uso de materiais alternativos e mais baratos e além disso materiais que tem um valor ecológico muito grande, aplicando o conceito de ecodesign, o design com responsabilidade ecológica, os designers brasileiros já são conhecidos internacionalmente como inovadores em materiais para elaboração de produtos a partir de materiais que agridem menos o meio ambiente.
Outro fator que poderia possibilitar uma aceleração no processo de inserção do design na sociedade brasileira era a ocorrência de um maior investimento por parte de empresas privados ou mesmo do governo no design, sabemos que o design é um conceito de profissão pouco difundido no Brasil, isso acaba por acarretando uma exclusão dessa importante ferramenta até mesmo na industria que seria o setor mais beneficiado por ele, empresários desinformados acabam por não fazer uso do design para a elaboração de produtos o que os torna com pouco valor sobre a realidade em que estão inseridos. Outro grande agente em questão é o governo, há uma escassez na quantidade de projetos ligados ao desenvolvimento do design e de propagação do próprio conceito da profissão, outro investimento muito valioso que poderia ser realizado pelo governo é o aumento da estrutura dos cursos nas universidades publicas, aumentando assim a quantidade de profissionais graduados e principalmente na qualidade desses profissionais que contribuiriam ainda mais para o desenvolvimento do design nacional.
A empresas brasileiras ainda adotam a estratégia da cópia, no cenário nacional copiar é visto como a forma mais rápida e fácil para se desenvolver um produto, com essa atitude o profissional do design tem poucos caminhos para traçar dento do cenário industrial nacional por parte dos donos dessas industrias que pouco investem em pesquisas e desenvolvimento de novos projetos que assim seguiriam a realidade do mercado nacional e não do produto copiado. Iida em seu artigo “Design, apesar de tudo!” (2002) apresenta a cópia de duas maneiras, a cópia burra que faz a simples imitação do produto estrangeiro, maneira de cópia essa que pode trazer vários problemas pela modificação projetual que os empresários nacionais elaboram com o uso de materiais e técnicas de produção inferiores ao de outros paises tornando o produto de qualidade mais baixa. Outro tipo de cópia apresentada é a cópia mais inteligente que apenas segue as noções básicas do projeto copiado que sofre devidas modificações para que se adapte ao cenário brasileiro.
O primeiro tipo de cópia não apresenta nenhum tipo de beneficio para o cenário nacional, pelo contrario, prejudica o consumidor desses produtos de baixa qualidade, já o segundo tipo é realizado por um tipo de empresário que sabe a importância de uma adaptação de produtos para o mercado em que ele será inserido, isso leva a industria que realiza esse tipo de copia mais inteligente com o tempo desenvolver uma autonomia própria por conta da experiência retirada da adaptação dos produtos que futuramente acarreta na elaboração de projetos legítimos nacionais que atendem ao cenário em que serão comercializados.
Resta-nos lutar por uma agilização do processo de inserção do design na sociedade em que vivemos pois ele tem e muito para contribuir!